Fernanda Pinho, Camilla Pizarro, Maria Eduarda Ferro, Camila Maria Garcia, Carolynne Hlebetz

Fernanda Pinho, Camilla Pizarro, Maria Eduarda Ferro, Camila Maria Garcia, Carolynne Hlebetz

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

BH na perspectiva do arquiteto

                   Ao chegar à BH com o principal objetivo de estudar o local, senti logo a responsabilidade de avaliar toda a cidade com olhos de arquiteta e não apenas de turista. Algo que já ocorre desde o momento pelo qual ingressei na universidade de arquitetura, no entanto, cursar uma disciplina da faculdade que determina que eu exercite esta prática, foi algo desafiador.
                Assim que cheguei à cidade, logo me deparei com prédios enormes e afastados uns dos outros, cada um com sua identidade arquitetônica particular. Mesmo observando do interior de um ônibus, tive a princípio uma boa sensação, de estar chegando a uma região não só com uma grande herança histórica, como também uma grande bagagem “atual” no que diz respeito à arquitetura e ao urbanismo.
                Logo após este positivo sentimento de adentrar em uma cidade grande, repleta de pontos atrativos, tive uma impressão não tão positiva a partir do local onde fiquei hospedada. Fui logo deixada no hotel juntamente com a turma e os professores para que fossem deixadas as malas. O hotel no qual ficamos localizava-se, por conveniência, no centro da cidade. Pois além de ser próximo a tudo, é onde se encontram as hospedarias mais econômicas. O aspecto negativo foi que a noite o centro é totalmente inóspito, o que o torna muito perigoso. Além de ser também uma região muito suja.  
                No dia seguinte, primeiro dia da viagem, digamos assim, logo após o café da manhã fui com a turma e os professores para a lagoa da Pampulha.
                Ao redor da Pampulha, conhecemos as diversas obras do grande Niemeyer. Sendo que em algumas adentramos e outras não. Conhecemos a fundo a Casa do Baile, a igreja de São Francisco de Assis e o Museu de Arte da Pampulha. Em suas outras obras na mesma região, apenas passamos em frente, como a casa de JK.
                Ao chegar na primeira obra visitada, a Igreja de São Francisco de Assim, ou igreja da Pampulha, estranhei da relação de escala entre pessoa e obra de arte. Pelas fotos nas quais sempre tive acesso, deste local, a igreja sempre me pareceu muito maior do que na verdade é. No entanto, nada que tenha inferiorizado a qualidade arquitetônica da construção. Muito pelo contrário, o mestre Niemeyer, como sempre, conseguiu através de suas curvas e peculiaridades dignas de suas edificações, criar uma igreja que compunha perfeitamente a região, acompanhando o todo o desenho e a paisagem das margens da lagoa. A obra, mesmo que vista de longe, se destaca no local, tornando-se sem dúvidas um grande monumento.
                O mesmo ocorre com suas outras obras também encontradas margeando a lagoa da Pampulha. Criando assim um percurso passível de apreciação e contemplação. Algo imperdível em qualquer viagem feita à BH.


             Ainda no mesmo dia, visitamos o prédio da faculdade de arquitetura da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Uma vez que o prédio destacava-se por sua estética arquitetônica característica do início do movimento modernista no país. No local assistimos à uma palestra sobre a criação de Belo Horizonte e aproveitamos para almoçar no refeitório da faculdade. Uma boa pedida pra quem quer comida boa e barata.
                Para encerrar as visitas deste dia, saímos da universidade, a pé, até a Praça da Liberdade. No trajeto observamos os prédios, as particularidades de suas formas e suas soluções de implantação em meio a uma região da cidade totalmente verticalizada.
                Até que chegamos à Praça da Liberdade. Com jardins, coretos, repuxos e estátuas em mármore, a Praça localiza-se no final da Avenida João Pinheiro, de frente para o Palácio da Liberdade, sendo cortada por dupla fileira de palmeiras imperiais. Um grande marco para a cidade, pois compõe o cenário local desde a fundação da cidade. Desta forma, apresenta diversas construções de caráter histórico que cercam o entorno da praça. Construções estas de estilo eclético, datadas da época da transferência da capital, assim como o edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública.
                No segundo dia eu, juntamente com a turma e os professores, fomos primeiramente ao parque municipal. Um oásis no meio de uma cidade totalmente urbanizada. Excelente lugar para quem quer entrar em contato com a natureza, caminhar e relaxar do estressante ritmo da cidade grande. No local, tivemos uma visita guiada, na qual assistimos a uma verdadeira aula de botânica, tendo em vista a diversificada flora distribuída por todo o parque.
                Em seguida partimos para o mercado central. Núcleo não só de produtos alimentícios, mas também de artesanato e de comidas típicas, o mercado é também uma grande atrativo turístico para a cidade. Para quem gosta de boa comida e é claro, levar lembrancinhas para o pessoal de casa, este é o local ideal para conhecer. Não foi por menos que meus professores levaram a turma para almoçar e vivenciar esta experiência.
                Para encerrar as visitas do dia, conhecemos o parque das Mangabeiras, um dos maiores e mais belos redutos ecológicos de Belo Horizonte. Com projeto paisagístico assinado por Burle Marx, é a maior área verde da cidade, onde se pode fazer trilhas no meio de micos, esquilos e outros animais silvestres. E tem ainda quiosques, quadras poliesportivas, brinquedos para crianças e arenas para shows e teatros.
                No percurso de volta para o hotel, paramos para contemplar um pouco a Praça do Papa. Um grande mirante situado em um dos bairros mais altos da cidade, que permite apreciar toda a vista de BH.


                No terceiro e último dia, tivemos a melhor a maior experiência de toda a viagem. Fomos conhecer o famoso Instituto Inhotim. Situado em Brumadinho, nos arredores de BH, o parque é um lugar singular, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras e de todos os continentes. Os acervos são mobilizados para o desenvolvimento de atividades educativas e sociais para públicos de faixas etárias distintas. Os projetos são altamente significativos, como o Pavilhão Adriana Varejão, desenhado por Rodrigo Cerviño Lopez, que atraem a atenção de ícones do cenário arquitetônico mundial. Ao fragmentar a visitação em diferentes pavilhões, construídos em momentos distintos, o centro torna-se um novo paradigma para os espaços expositivos. O Instituto é um local inadmissível de não ser visitado, principalmente para arquitetos, paisagistas e apreciadores de obras de arte.


               Por fim, após o retorno à Niterói, pude identificar esta viagem positiva em todos os aspectos. Conhecer Belo Horizonte, com certeza agregou tanto para minha carreira, como para minha vida pessoa, grande bagagem arquitetônica e cultural. A cidade é bastante interessante, e possui diversos atrativos tanto para serem feitos na parte do dia, como a noite. A partir de agora, é um passeio que recomendo a todos!

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