Ao chegar à BH com o principal objetivo de estudar o local, senti logo
a responsabilidade de avaliar toda a cidade com olhos de arquiteta e não apenas
de turista. Algo que já ocorre desde o momento pelo qual ingressei na
universidade de arquitetura, no entanto, cursar uma disciplina da faculdade que
determina que eu exercite esta prática, foi algo desafiador.
Assim que cheguei
à cidade, logo me deparei com prédios enormes e afastados uns dos outros, cada
um com sua identidade arquitetônica particular. Mesmo observando do interior de
um ônibus, tive a princípio uma boa sensação, de estar chegando a uma região
não só com uma grande herança histórica, como também uma grande bagagem “atual”
no que diz respeito à arquitetura e ao urbanismo.
Logo após este
positivo sentimento de adentrar em uma cidade grande, repleta de pontos
atrativos, tive uma impressão não tão positiva a partir do local onde fiquei
hospedada. Fui logo deixada no hotel juntamente com a turma e os professores
para que fossem deixadas as malas. O hotel no qual ficamos localizava-se, por
conveniência, no centro da cidade. Pois além de ser próximo a tudo, é onde se
encontram as hospedarias mais econômicas. O aspecto negativo foi que a noite o
centro é totalmente inóspito, o que o torna muito perigoso. Além de ser também
uma região muito suja.
No dia seguinte,
primeiro dia da viagem, digamos assim, logo após o café da manhã fui com a
turma e os professores para a lagoa da Pampulha.
Ao redor da
Pampulha, conhecemos as diversas obras do grande Niemeyer. Sendo que em algumas
adentramos e outras não. Conhecemos a fundo a Casa do Baile, a igreja de São
Francisco de Assis e o Museu de Arte da Pampulha. Em suas outras obras na mesma
região, apenas passamos em frente, como a casa de JK.
Ao chegar na
primeira obra visitada, a Igreja de São Francisco de Assim, ou igreja da
Pampulha, estranhei da relação de escala entre pessoa e obra de arte. Pelas
fotos nas quais sempre tive acesso, deste local, a igreja sempre me pareceu
muito maior do que na verdade é. No entanto, nada que tenha inferiorizado a
qualidade arquitetônica da construção. Muito pelo contrário, o mestre Niemeyer,
como sempre, conseguiu através de suas curvas e peculiaridades dignas de suas
edificações, criar uma igreja que compunha perfeitamente a região, acompanhando
o todo o desenho e a paisagem das margens da lagoa. A obra, mesmo que vista de
longe, se destaca no local, tornando-se sem dúvidas um grande monumento.
O mesmo ocorre com
suas outras obras também encontradas margeando a lagoa da Pampulha. Criando
assim um percurso passível de apreciação e contemplação. Algo imperdível em
qualquer viagem feita à BH.
Para encerrar as
visitas deste dia, saímos da universidade, a pé, até a Praça da Liberdade. No
trajeto observamos os prédios, as particularidades de suas formas e suas
soluções de implantação em meio a uma região da cidade totalmente
verticalizada.
Até que chegamos
à Praça da Liberdade. Com jardins, coretos, repuxos e estátuas em mármore, a
Praça localiza-se no final da Avenida João Pinheiro, de frente para o Palácio
da Liberdade, sendo cortada por dupla fileira de palmeiras imperiais. Um grande
marco para a cidade, pois compõe o cenário local desde a fundação da cidade. Desta
forma, apresenta diversas construções de caráter histórico que cercam o entorno
da praça. Construções estas de estilo eclético, datadas da época da
transferência da capital, assim como o edifício Niemeyer e a Biblioteca
Pública.
No segundo dia
eu, juntamente com a turma e os professores, fomos primeiramente ao parque
municipal. Um oásis no meio de uma cidade totalmente urbanizada. Excelente
lugar para quem quer entrar em contato com a natureza, caminhar e relaxar do
estressante ritmo da cidade grande. No local, tivemos uma visita guiada, na
qual assistimos a uma verdadeira aula de botânica, tendo em vista a
diversificada flora distribuída por todo o parque.
Em seguida
partimos para o mercado central. Núcleo não só de produtos alimentícios, mas
também de artesanato e de comidas típicas, o mercado é também uma grande
atrativo turístico para a cidade. Para quem gosta de boa comida e é claro,
levar lembrancinhas para o pessoal de casa, este é o local ideal para conhecer.
Não foi por menos que meus professores levaram a turma para almoçar e vivenciar
esta experiência.
Para encerrar as
visitas do dia, conhecemos o parque das Mangabeiras, um dos maiores e mais
belos redutos ecológicos de Belo Horizonte. Com projeto paisagístico assinado
por Burle Marx, é a maior área verde da cidade, onde se pode fazer trilhas no
meio de micos, esquilos e outros animais silvestres. E tem ainda quiosques,
quadras poliesportivas, brinquedos para crianças e arenas para shows e teatros.
No percurso de
volta para o hotel, paramos para contemplar um pouco a Praça do Papa. Um grande
mirante situado em um dos bairros mais altos da cidade, que permite apreciar
toda a vista de BH.
Por fim, após o
retorno à Niterói, pude identificar esta viagem positiva em todos os aspectos.
Conhecer Belo Horizonte, com certeza agregou tanto para minha carreira, como
para minha vida pessoa, grande bagagem arquitetônica e cultural. A cidade é
bastante interessante, e possui diversos atrativos tanto para serem feitos na
parte do dia, como a noite. A partir de agora, é um passeio que recomendo a
todos!
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